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Hoje quem escreve é: Serena Aboutboul

As experiências de uma mãe expatriada na criação de seus filhos: o bom do Brasil, o bom da Europa

Nossa convidada é minha amiga há quase 30 anos. Mãe, esposa, amiga, executiva de sucesso e blogueira, lançou o blog MyWay2Blog para falar com mulheres multitask,equilibristas da vida real.  A Serena, vocês vão ver, enxerga o mundo com criatividade e inteligência e é, definitivamente, uma mulher  inspiradora.
Ah! E visitem o blog: www.myway2blog.com, ele é uma delícia de ler.

Amor incondicional e a educação Europeia. Uma reflexão sobre a educação dos filhos

Minha maior preocupação quando decidimos seguir uma carreira internacional e viver uma vida de “expatriados”, nunca foi o trabalho. Sempre foi, e continua sendo, o bem estar e a adaptação dos meus filhos. Essa jornada já leva 12 anos, cinco mudanças e três países.

Sempre digo que a expressão “working mother” é incorreta e não reflete a realidade. O que existe são “mothers that work”. Por mais executivas, ambiciosas ou carreiristas que sejam. Filho SEMPRE é prioridade. Em qualquer lugar do mundo e em qualquer cultura.

Então, como mãe atenta, e vivendo muito tempo na Europa (8 anos ao todo, o que é um tempo muito significativo na vida dos meus dois filhos Leonardo e Rafael, hoje com 14 e 10 anos), pude observar através da escola, dos amigos e das outras mães, diferenças e semelhanças na maneira de lidar e, sobretudo, de educar as crianças.

Educação sempre é “assunto” então já vamos deixar combinado que cada filho é um, que geralmente esse “um” é super especial, lindo, brilhante, que cada família tem seu jeito, que não existe receita de bolo pra educar, que cada mãe e pai sabe onde lhes aperta o calo etc, etc. Mas é pura bobagem ignorar que há aspectos positivos e negativos na maneira que escolhemos educar nossas crianças. Então, na tentativa de acertar sempre, que tal um pouco de humildade e olhar pro lado com interesse? Mesmo achando que “meu filho é demais” e “ eu sei o que é melhor pra ele” ?

O que gosto muito na maneira de se educar no Brasil (e na América Latina em geral) :
– A emoção explícita : nunca é demais abraço, beijo, carinho e apelidos amorosos de todo tipo
– A informalidade no encontro entre amigos e família : um tal de ir e vir pra casa do outro, porta aberta pra receber, sem muita cerimônia pra nada
– O fato de criança ser sempre bem vinda e ser recebida com sorriso no rosto e agrado
– A alegria da criança em primeiro lugar. Não deixar chorar muito tempo, socorrer e proteger sempre, dar tudo de si pra que a auto-estima da criança cresça e permaneça (ups… requer muita atenção nesse ponto, pra não virar pai e mãe sem noção, mas gosto)

O que gosto muito na educação Europeia:
– Criança é criança e, de preferência, permanece criança durante todo o período da infância. Ou seja, até 12 anos, muito raro ver menina passando batom, pintando unha, criança com celular a mil, página no facebook, mania de shopping ou consumo pessoal. Nesse período se estimula brincar muito, ler história infantil, dormir cedo, comer direito e na hora.
– Disciplina e independência : aqui os pais não “fazem tudo” pra criança : coisas como amarrar o sapato, cortar o bife, pendurar o casaco quando chega, arrumar a mala da escola e o uniforme sozinhos, levar o prato da mesa, dobrar e guardar a própria roupa, escovar os dentes sem precisar mandar e arrumar a própria mala de viagem, são coisas que se estimulam desde bem cedo : tipo a partir dos 4-5 anos
– Criança tem hora e tem lugar: quando a hora é “ adulta”, ou seja, num jantar, quando se recebe visitas, num restaurante ou na casa de alguém, não pode ficar incomodando e chateando o tempo todo, tem que aprender a dar espaço pro outro, mesmo que o “outro” seja pai ou mãe. O limite é o limite de incomodar, ou seja, inadmissível ficar gritando, correndo, esperneando, chamando atenção pra si
– Por favor, com licença, obrigado, bom dia e até logo. Sempre e sem precisar pedir

Eu e a Lívia já demos muita risada sobre essa questão de ver como as pessoas se transformam quando viram pai ou mãe. Muitas vezes aquilo que criticavam nos outros, acabam por praticar elas mesmas quando tem filhos. Patéticos assumidos mesmo.

Me lembro de uma história de uma amiga da Lívia que dizia ter um método excelente de educação dos filhos : “vou do Piaget ao Pinochet em cinco minutos”!”. Nunca me esqueci e adorei : acho que o bom é saber dosar e, entre Europa e Brasil, procuro observar e fazer o melhor pelos meus filhos, pra que eles sejam felizes, sim. Mas também para que esse mundo seja um lugar melhor pra se viver.

Serena e seus filhos

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