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Spa Zen, porém à bolonhesa

Tinha 34 anos quando me divorciei do meu primeiro marido.

Quem já passou por isso sabe a dor deste luto. Comigo não foi diferente. Fiquei um ano em estado de profunda tristeza, principalmente pelo projeto de vida desmoronado.

Por sorte, destino, herança genética, sei lá, sempre gostei muito de mim e mantive a fé na minha felicidade.

Eu sabia que tinha que me movimentar, abrir novas frentes de alegria, já que dentro de mim mesma, naquele momento, as coisas ainda estavam cinzas demais.

Foi um tal de fazer curso de bijuteria, filosofia, de como receber bem com classe, distribuir sanduíche de mortadela para moradores de rua aos finais de semana, tomar passe em centro espírita. Era um vale tudo para ver se meu coração desanuviava. E nada.

Cansada de mim mesma e de tanto choro, resolvi aceitar um convite de um grande amigo: passar um final de semana em um SPA Zen. Zen de verdade.

Em uma manhã ensolarada de maio, Fábio e eu viajamos rumo ao interior de São Paulo.

O SPA prometia uma agenda de faxinar qualquer alma. Meditação, Yoga, Tai Chi Chuan, cerimônia sagrada disso e daquilo, caminhada sob o luar e muitas outras coisas. Era do que eu precisava!

O lugar era bonito, a promessa do final de semana também, mas quem me conhece sabe da minha pouca paciência para essas coisas.

Deixamos nossas malas nos respectivos quartos e fomos para a primeira atividade. Andamos, muito mesmo, até chegarmos a uma floresta fechada com enormes bambus. Era bambu que não acabava mais. A tarefa era abraçarmos cada um o seu bambu e conversarmos com ele. Oi?

Bem, minha conversa não correu muito bem porque imediatamente tratei de personificar meu bambu como o ex-marido. Aí a coisa não desenvolveu ZEN, como vocês podem imaginar.

Eu já tinha arrasado com o coitado, bem rápido e fulminante, quando tive que esperar a conversa dos outros com seus respectivos bambus, o que demorou um bocado. Fiquei eu lá, junto com o meu bambu, naquele mal estar depois do quebra pau, escutando sussurros e vendo os olhares enlevados dos demais hóspedes. O problema devia ser eu mesma!

Sino. Segunda atividade, Tai Chi Chuan.

Fábio e eu, duas aves desengonçadas, tentando sincronizar os movimentos com o resto da turma, em câmera lenta, naquele silêncio sepulcral e errando simplesmente tudo que tínhamos que fazer. E olha que não era muito.

Sino. Hora do almoço.

A coisa começou a melhorar pro meu lado. Ao invés do temido tofu, soja, rabanete e arroz integral, bem possíveis em um lugar como esse, sai da cozinha uma deliciosa comida caseira: frango assado com farofa, arroz, feijão. Gente, quer mais zen que isso? Meu humor deu uma melhorada substancial.

Sino. Aula de Yoga. Fábio e eu nos contorcendo sem chegar a posição nenhuma. Terceiro constrangimento do dia.

Sino. Mais um par de atividades de autoconhecimento, em um momento em que eu queria mais era conhecer outra pessoa.

Sino. Jantar. Macarrão a bolonhesa, graças a Deus

Sino. Cerimônia da fogueira. Frio desgraçado. Eu não aguentando mais.

Sino. Dormir.

Sino. Acordar.

Ainda não tinha chegado lá. Na verdade, estava rigorosamente do jeito que entrei. Mas sabem como é, a gente tenta se convencer das coisas. Então, Fábio e eu éramos só elogios ao lugar.

Até que, aguardando a hora de partirmos e prontos para irmos embora, no sentamos na beira da piscina para um último solzinho. Aquele momento que poderia ser redentor pra mim. Só que não foi.

Um grupo de jornalistas de uma famosa revista de fofoca, daquelas baixo nível, havia acabado de chegar ao SPA e se aboletar nas cadeiras da piscina. A conversa era ruidosa, regada a muitas risadas de escárnio e segredos cabeludíssimos sobre gente famosa da época. Super Zen.

Assim acabou nosso final de semana evolutivo. Com uma completa atualização sobre quem traiu quem no mundo artístico.

Voltei para minha vidinha, melhorando pouco a pouco, sem milagres repentinos. Até que em alguns meses tudo mudou. Para muito melhor.

Querem saber o que aconteceu? Visitem a primeira Crônica de “Amor em 4 atos”, publicada no blog.
Boa leitura!

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