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Amor em 4 atos. Segundo ato: Nhoque

Perdi contato com o Perci depois que me casei e saí da Nestlé. Ou melhor, quis perder.Queria mais é ficar bem longe dele. Pura complicação esta história. E eu queria a minha nova vida bem resolvida.

Em um belo dia de 2005, mais precisamente um ano após meu divórcio, percebi que havia anos não sabia do Perci. Puxa, tão legal que ele era!

Acompanhem meu pensamento: gostava demais dele, não havia mais motivos para constrangimento, até porque ele também já havia se separado. Podíamos ser amigos. Qual o problema? Coisa de gente madura, moderna!

Mandei um email para o seu endereço que eu ainda sabia de cabeça e marcamos um almoço na semana seguinte. Dia de semana mesmo, encontro rápido, só para dar um oi.

Começo da semana. Eu tranquila, imaginando colocar a nossa vida em dia.

Meio da semana. Eu, começando a ficar ansiosa. A ter ideias. Muitas ideias.

Véspera do almoço. Eu, uma pilha, sem comer absolutamente nada, decorando cada palavra que iria falar.

Dia D. Depois do protocolo básico, dos beijinhos de oi, coisa e tal, pergunto como vão as coisas. E ele resolve contar!
Ai meu Deus, eu com um discurso todo armadinho e ele começa o trelelê!
Me conta que desde a separação resolveu simplificar a vida, abrir mão de relacionamentos, focar nos filhos e no trabalho…

Sinceramente! Se não fosse minha teimosia, a coisa acabava ali mesmo.

Eu só pensava uma coisa: tudo bobagem. Passa quando se apaixonar. Foco, Lívia, foco!

Dado o meu desafio, peço um nhoque, prato de que, aliás, nunca gostei. Coisa mais sem graça. Mas se tinha uma coisa que não dava naquela hora era ficar administrando espaguete.

Espeto a primeiro bolinha e aviso. Então, Perci, vim terminar a conversa do elevador.
Abro o coração, confiando que aquele homem que tanto admirava saberia, no mínimo, respeitar meus sentimentos, se estes não lhe interessassem. E sigo declarando meu amor antigo, abafado pelo tempo, com o mesmo nhoque no garfo.

O Perci? Fez igual àquelas cenas de filme. Ficou com os olhos arregalados perguntando: O que? Quando? Como? Terminando com : O que eu faço agora?

Senti alívio e felicidade por tudo que falei, e respondi que o mais difícil eu tinha feito. Ele que cuidasse de tudo dali para frente.

Dois meses depois começamos a namorar. Mais dois meses e nos casamos.

Manjericão. O aroma daquele dia

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