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Glúten Free, o inferno é aqui!

Sei que provocarei as feras, ganharei inimigos com esta crônica, mas a comichão de escrever é mais forte.

Antes de começar, convém explicar, sou fanática por pão. Troco qualquer bom jantar por um lanchinho, um pão na chapa com café.

Fico feliz na padaria. Sou do tipo que sai de casa, a que horas for, se bater uma vontade de pão doce.

Sou a mulher glúten.

Mas como alguns de vocês sabem, também tenho uma enxaqueca ancestral, daquelas infernais, que me acompanha há décadas.

Antes de marcar uma consulta no neurologista da vez, seguindo o conselho da minha querida terapeuta Mary Jane, comecei a tal dieta do glúten, odiando fazer parte do modismo, dos chatolinos de plantão glúten free.
Antes de mais nada, era uma questão de honra resistir.

Mas o fato é que a dieta começou a resolver meu problema, as enxaquecas rarearam, transformando-se em dores de cabeça eventuais.

O processo foi mais ou menos assim, substituí massa comum pelas sem glúten, comprei pães horrorosos, tipo carne esponjosa, ligeiramente mal cheirosos e caros, muito caros. Tentei algumas receitas caseiras, todas candidatas eleitas para o cesto de lixo.

Fora os quitutes. Meu marido, penalizado, me trouxe uma cesta com comidinhas glúten free. Caríssima, com biscoitos, torradinhas e outros que tais. Me animei. E comecei pelo biscoitinho de chocolate meio feinho. O gosto era bom e resolvi dar uma espiada nos ingredientes. Balde de água fria. Massa de feijão com fécula de batata e linhaça não tem condição. Desanima, né?

Cansada de gastar tempo e dinheiro em vão, resolvi começar a visitar as padarias glúten free melhor ranqueadas na internet, ainda acreditando no discurso: Imagine! Hoje em dia você tem de tudo, os pães são ótimos, não se sente falta de nada!

Semana passada, após visitar a mais chique padaria glúten free de São Paulo, entendi tudo.

O lugar, uma padaria fake, com tudo que uma boulangerie de verdade tem: vitrines deliciosas com pães, bolos, tortas, cartazes atraentes, decoração charmosa.

Uhu! A primeira pedida, um pão na chapa. Viva!!!!!

A esponja de novo….. gosto de coisa nenhuma…

Next. A anunciada coxinha de galinha. Não cheguei na metade…

Finalmente, o bolo de banana. Gente, fala sério, isso não pode ter erro. Banana mascara qualquer coisa. Um bloco farinhento desmontável à primeira garfada…

Neste momento percebo o que não havia visto antes: o garçom. Pra mim foi a gota d´água.

Aquele olhar, um misto de desdém e pena, de quem se alimenta bem lá na cozinha, com muito glúten e despreza aquela gente que paga caro pela comida faz de conta.

E dele escuto a frase lapidar: a senhora vai vindo, vem umas três, quatro vezes, aí acostuma. Olha aquele pessoal lá do canto, hoje até gostam!

Glúten free, o inferno é aqui!

O legítimo, meu atual objeto de desejo

Ser infeliz tudo bem, mas fingir que tá no paraíso não dá!

 

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Ansiedade no caixa do supermercado

EU:
Enfio o carrinho no corredor do caixa e a coisa já começa.

Aquele frisson de tirar os produtos, colocá-los na esteira, dar bom dia pra moça, falar não 3 vezes pro cliente cadastrado, nota fiscal paulista, CPF na nota, abrir as sacolinhas de plástico que estão sempre grudadas, colocar os produtos planejando bem quem vai com quem na suruba da sacola, tentar achar a carteira na bolsa, pegar o cartão e já deixar a postos, passar o cartão enquanto ainda coloco produtos na sacola, tirar o cartão, tirar o carrinho do caminho do próximo cliente. Ufa!

Isso tudo sabendo que atrás de você tem aquela pessoa pensando em silêncio: vai, minha filha! Anda logo com isso. Tem produto aqui pra passar e você não acha a carteira, não sabia que tinha que pagar? Ela faz aquela cara de tranquilidade, condescendência, mas no fundo quer performance!

Ô vida difícil!

A CAIXA:
Há 7 anos trabalho em um caixa de supermercado aqui da Granja Viana. Lugar chiquetoso mas com um par de gente sem grana, bem, é o que eu acho. Depois conto das compras devolvidas no caixa…

O que impressiona é como as pessoas são iguais, pelo menos pra mim, que vejo todas do meu caixa.
Todos fazem as mesmas coisas. O careca das quintas, a mulher toda trabalhada na academia das segundas, a executiva nervoooosa, o todo simpático galinhão…

É, pra mim não é mole não.

Odeio isso: cliente cadastrado? CPF na nota, débito ou crédito? Pergunto essa sequência infernal pelo menos 75 vezes ao dia. Outra noite fui fazer uma brincadeira com meu marido, na hora H perguntei: CPF….Débito ou…Cliente cadastr….Ops, foi bem mal!

Bem, voltando…

Tem a controladora, que gosta de olhar para tela depois que eu digo o valor, como se fosse enxergar alguma coisa e fica com aquela cara de que tá fazendo conta. Tem o folgado, que finge que esqueceu de pesar os legumes, desse eu tenho raiva! Tem a coitadinha, que pega mais do que pode pagar e fica devolvendo as coisas com cara de: absurdo, tá muito caro! Tem a que não devolve o carrinho, larga no caminho e finge que ele é invisível.

Ai, meu Deus, lá vem a mulher da bolsa verde. Essa é de lascar. Por quê, por quê ela insiste nessa bolsa, essa bagunça ambulante onde não se acha nada! Toca esperar a chata achar a carteira. Tomara que a dona de trás faça aquela cara que eu adooooro. De limão. Ela fica aflita!

Mas até que ela é boazinha. Diz bom dia sorrindo, pesa as coisas como deve, já fala de cara não, não, não pra me poupar das perguntas, e tem uma filhinha que é uma graça!

Fala a verdade, vai. Não é assim com você também?

Momento tenso

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