CATEGORIA DROPS DE AMOR

Hoje quem escreve é: Percival Caropreso

 

Hoje é dia de convidado no Maleta Amarela. Publicitário de sucesso, um dos pioneiros em Sustentabilidade no país, meu marido amado, pai da nossa filha Laura e de mais cinco filhos, e que nunca deixou de ser redator  brilhante. Recentemente lançou seu blog, onde conta sobre causos da propaganda (www.blogdoperci.com.br)

Amor Infantil

Joãozinho em cima, Mariazinha embaixo
Sem qualquer remorso, sem sentimento de culpa
Ingenuidade pura
Ambos apenas sorrindo
Trocaram
Agora Mariazinha em cima, Joãozinho embaixo
Tudo muito divertido
Descobrir aquele cantinho sossegado
Enganar o guarda
Ninguém pra encher
Agora, Joãozinho de novo por cima
E Mariazinha embaixo
Papai & Mamãe
Tradicional, mas eficiente
Ele, cinco anos
Ela, seis anos e mais um pouco
Tudo muito gostoso, porque proibido
Trocaram de novo
Mariazinha rindo muito, em cima
Joãozinho feito homem, embaixo
E vai pra cima e vai pra baixo
E vira e troca e começa tudo de novo
Mariazinha agora embaixo, Joãozinho agora em cima
Aí chega o guarda
Pega o flagrante da Mariazinha embaixo, Joãozinho em cima
Bonzinho, o guarda promete nada contar pra ninguém
Mariazinha e Joãozinho dão um riso amarelo
E arrumam as roupas meio amassadas
Descem da gangorra enferrujada do velho parquinho abandonado
E vão embora de mãos dadas
Amando-se mais do que nunca

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Adoção: Capítulo IV – Ring Ring. O telefone tocou!

 

Não sei se já comentei, mas tenho cá minhas intuições de vez em quando. Em geral, elas me são bem úteis, embora às vezes de um jeito meio torto.

Janeiro de 2013. Eu, totalmente convencida de que algo fabuloso aconteceria no ano, dessas coisas capazes de mudar nosso destino. Avisei meu marido, o Perci, pra ficar preparado. A coisa ia ser grande. Ele, que me conhece e sabe do potencial das minhas predições, levou a sério.

Na falta de perspectiva mais clara, concluí que seria a ganhadora do grande concurso de Páscoa da Cacau Show. O 1 milhão anunciado para quem comprasse seus ovos entrariam na minha conta. Era isso. Claro e cristalino.

Comprei ovos e mais ovos da marca, enchi a casa de chocolate, muito, muito chocolate. As urnas da loja perto de casa ficaram repletas de cupons preenchidos com muita fé e eu aguardava a chegada do sorteio, em maio, feliz da vida.

No dia 6 de maio tive que ir a São Paulo para uma reunião pela manhã. Saí de casa resignada, enfrentando o trânsito da Raposo Tavares, entristecida por mais um dia das mães que se aproximava. Pensei em ligar para o Fórum, dar um pulinho lá no final da tarde para saber se havia alguma novidade, mas logo desisti. Para que procurar sarna pra me coçar? Motivos pra ficar mais desanimada justo naquela semana?

Voltei pra casa após o almoço e meu marido, espirituoso como sempre, foi logo dizendo:
– Chegou depois do almoço. Bem feito, perdeu o telefonema. Ligaram do Fórum.

Eu, que já não estava para brincadeira, fiquei uma fera. Como ele podia brincar com uma coisa dessas? Falta de sensibilidade! Demorei alguns segundos até ouvir o que ele falava. De fato o telefone tinha finalmente tocado para nós. Nossa menina havia chegado.

Tremendo, peguei o papelzinho com o telefone anotado da Assistente Social. O que escutava era um sonho. Nossa menininha havia chegado e devíamos ir ao Fórum dois dias depois para conversar sobre ela e visitá-la, se fosse o caso. Lógico que era o caso!

A Assistente Social dizia as coisas de praxe. Há uma menina, de apenas 3 meses, nós éramos o casal da vez na fila…E eu só conseguia perguntar: como é a nossa menina, fale dela. A resposta para todas as perguntas foi taxativa e eu nunca esquecerei:

– Não podemos adiantar detalhes por telefone. A única coisa que eu posso dizer é que sua menina é uma bolinha perfumada. Você só não se apaixonará por ela se não quiser ser mãe.

Chorei, chorei, chorei muito até conseguir me acalmar. E assim foi por dois dias, até o nosso encontro. Eu, sem comer e dormir por dois longos dias.

No dia 8 de maio, lá estávamos Perci e eu no Fórum, para saber sobre a história da nossa filha, um passo exigido pela lei, que pais adotivos conheçam a história da criança. Depois de conhecer detalhes sobre a curta vidinha dela, fomos os três, a Assistente Social, meu marido e eu para a casa de abrigo onde ela se encontrava.

Se eu tentar descrever a ansiedade, a emoção de entrar naquele quarto, onde ela dormia em um berço junto com a melhor amiguinha de também 3 meses, não conseguirei. O trajeto da porta do quarto até o berço durou uma eternidade. Saber que minha vida se transformaria em alguns passos, que aquela menininha era a minha garotinha, esperada por uma vida inteira, foi de longe a maior emoção da minha vida.

Chegamos devagarinho, meu marido e eu, perto da nossa filha e nos apresentamos falando baixinho. Ao nos aproximarmos do berço, ela acordou, abriu seus olhos verde azulados e deu um sorriso sereno, como se já nos esperasse.

As cuidadoras do abrigo nos disseram que ela estava cansada, pois na noite anterior ficou acordada, rindo à toa e feliz, por nada ou por nós todos.

Peguei minha filha no colo, cochichei no seu ouvido:
– Oi, meu amor. Mamãe chegou. Pronto, agora você já está com a gente.

Foram precisos mais dois dias, para finalmente poder buscá-la no Fórum e trazê-la pra nossa casa, por conta da papelada a ser encaminhada.

Na sexta-feira do dia 10 de maio ela chegou linda, de laçarote e perfume no Fórum, nos braços das freiras que tanto a amaram nos primeiros meses, direto para as nossas vidas.

Não ganhei 1 milhão. Ganhei o amor da minha vida, na véspera do Dia das Mães, que passei agarrada na minha filha.

O dia em que ele tocou pra mim

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Hoje quem escreve é: Serena Aboutboul

As experiências de uma mãe expatriada na criação de seus filhos: o bom do Brasil, o bom da Europa

Nossa convidada é minha amiga há quase 30 anos. Mãe, esposa, amiga, executiva de sucesso e blogueira, lançou o blog MyWay2Blog para falar com mulheres multitask,equilibristas da vida real.  A Serena, vocês vão ver, enxerga o mundo com criatividade e inteligência e é, definitivamente, uma mulher  inspiradora.
Ah! E visitem o blog: www.myway2blog.com, ele é uma delícia de ler.

Amor incondicional e a educação Europeia. Uma reflexão sobre a educação dos filhos

Minha maior preocupação quando decidimos seguir uma carreira internacional e viver uma vida de “expatriados”, nunca foi o trabalho. Sempre foi, e continua sendo, o bem estar e a adaptação dos meus filhos. Essa jornada já leva 12 anos, cinco mudanças e três países.

Sempre digo que a expressão “working mother” é incorreta e não reflete a realidade. O que existe são “mothers that work”. Por mais executivas, ambiciosas ou carreiristas que sejam. Filho SEMPRE é prioridade. Em qualquer lugar do mundo e em qualquer cultura.

Então, como mãe atenta, e vivendo muito tempo na Europa (8 anos ao todo, o que é um tempo muito significativo na vida dos meus dois filhos Leonardo e Rafael, hoje com 14 e 10 anos), pude observar através da escola, dos amigos e das outras mães, diferenças e semelhanças na maneira de lidar e, sobretudo, de educar as crianças.

Educação sempre é “assunto” então já vamos deixar combinado que cada filho é um, que geralmente esse “um” é super especial, lindo, brilhante, que cada família tem seu jeito, que não existe receita de bolo pra educar, que cada mãe e pai sabe onde lhes aperta o calo etc, etc. Mas é pura bobagem ignorar que há aspectos positivos e negativos na maneira que escolhemos educar nossas crianças. Então, na tentativa de acertar sempre, que tal um pouco de humildade e olhar pro lado com interesse? Mesmo achando que “meu filho é demais” e “ eu sei o que é melhor pra ele” ?

O que gosto muito na maneira de se educar no Brasil (e na América Latina em geral) :
– A emoção explícita : nunca é demais abraço, beijo, carinho e apelidos amorosos de todo tipo
– A informalidade no encontro entre amigos e família : um tal de ir e vir pra casa do outro, porta aberta pra receber, sem muita cerimônia pra nada
– O fato de criança ser sempre bem vinda e ser recebida com sorriso no rosto e agrado
– A alegria da criança em primeiro lugar. Não deixar chorar muito tempo, socorrer e proteger sempre, dar tudo de si pra que a auto-estima da criança cresça e permaneça (ups… requer muita atenção nesse ponto, pra não virar pai e mãe sem noção, mas gosto)

O que gosto muito na educação Europeia:
– Criança é criança e, de preferência, permanece criança durante todo o período da infância. Ou seja, até 12 anos, muito raro ver menina passando batom, pintando unha, criança com celular a mil, página no facebook, mania de shopping ou consumo pessoal. Nesse período se estimula brincar muito, ler história infantil, dormir cedo, comer direito e na hora.
– Disciplina e independência : aqui os pais não “fazem tudo” pra criança : coisas como amarrar o sapato, cortar o bife, pendurar o casaco quando chega, arrumar a mala da escola e o uniforme sozinhos, levar o prato da mesa, dobrar e guardar a própria roupa, escovar os dentes sem precisar mandar e arrumar a própria mala de viagem, são coisas que se estimulam desde bem cedo : tipo a partir dos 4-5 anos
– Criança tem hora e tem lugar: quando a hora é “ adulta”, ou seja, num jantar, quando se recebe visitas, num restaurante ou na casa de alguém, não pode ficar incomodando e chateando o tempo todo, tem que aprender a dar espaço pro outro, mesmo que o “outro” seja pai ou mãe. O limite é o limite de incomodar, ou seja, inadmissível ficar gritando, correndo, esperneando, chamando atenção pra si
– Por favor, com licença, obrigado, bom dia e até logo. Sempre e sem precisar pedir

Eu e a Lívia já demos muita risada sobre essa questão de ver como as pessoas se transformam quando viram pai ou mãe. Muitas vezes aquilo que criticavam nos outros, acabam por praticar elas mesmas quando tem filhos. Patéticos assumidos mesmo.

Me lembro de uma história de uma amiga da Lívia que dizia ter um método excelente de educação dos filhos : “vou do Piaget ao Pinochet em cinco minutos”!”. Nunca me esqueci e adorei : acho que o bom é saber dosar e, entre Europa e Brasil, procuro observar e fazer o melhor pelos meus filhos, pra que eles sejam felizes, sim. Mas também para que esse mundo seja um lugar melhor pra se viver.

Serena e seus filhos

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