Amor em 4 atos. Primeiro ato: Elevador

2005. Eu, 35 anos.

Não, melhor voltar no tempo para que vocês entendam a história.

Desde criança tenho intuições, às vezes premonições mesmo. Já tentei organizar um pouco o processo, colocar um certo foco na coisa, afinal, não seria nada mal poder contar com umas dicas aqui e ali quando me interessa. Mas as intuições vêm quando e como querem. Fazer o quê?

1995. Tomando um café no corredor da Nestlé, onde trabalhava na área de marketing. Ouço uma voz grossa atrás de mim, uma conversa entre três homens. Olho pra trás e dou de cara com um deles, uma mistura de Rivelino com José Wilker.

É o start para viagem de alguns segundos. Eu chegando em casa, na nossa casa, minha e do meu marido. Ele, o homem de voz grossa.

Corta. Termino meu café achando graça do que foi aquilo e volto rindo sozinha para minha sala.
Segue a vida.

1996. Eu, na McCann-Erickson, agência de publicidade que passa a me atender como cliente da marketing. E o tal José Wilker, entrando na sala ao final da reunião para dar um oi e me conhecer, a nova cliente.
Achei graça da coincidência, mas não dei muita importância para a coisa.

O Perci, seu nome, vinha pouco às reuniões, era peixe graúdo. Mas quando vinha, era uma alegria e um desastre. Eu me atrapalhava, falava obviedades, ficava nervosa, justo eu que era a cliente e deveria demonstrar segurança. Quando não vinha, a reunião corria que era uma beleza, mas eu ficava naquela tristeza. Por que? Ninguém precisa ter intuição para saber.

Acontece que a coisa não era simples. O cara tinha 5 filhos e era casado.

Sublimei tudo aquilo, não sem algum choro, o que não foi fácil considerando minha natureza romântica e o fato de que nos víamos de quando em quando. Passei os anos seguintes convivendo com o Perci apenas como cliente querida. E tendo da parte dele um tratamento igual, de colega atencioso, querido mesmo. E só.

Sabia pouco da vida dele e me limitava a ter contatos em reuniões, cada vez mais esporádicas (o porquê das rareadas reuniões vocês saberão logo aí embaixo).

Segue a vida.

2001. Eu, entregando o meu convite de casamento para o Perci. Sim, a esta altura já tinha conhecido meu futuro marido. E estava bem feliz, diga-se de passagem.

Agora, imaginem comigo. Como vocês se sentiriam entregando o seu convite de casamento para um homem e recebendo de volta uma enxurrada de palavras desconexas sobre ter se apaixonado por mim, sobre ter sofrido pela impossibilidade de tudo aquilo, sobre eu ser feliz porque merecia, sobre esqueça tudo isso, eu não deveria ter falado, mil desculpas. E vendo a porta de elevador se fechando aos poucos, em câmera lenta.

Congelei total. Voltei pra minha sala no piloto automático.

Ambos resolvemos nunca tocar no assunto em um acordo tácito de boa convivência. Mas ficou um ligeiro incômodo no meu coração. Uma dorzinha lá, bem lá no fundo, que eu não sabia explicar. Um eterno evitar pensar nele.
Segue a vida.

Amor à primeira vista

No próximo post de DROPS DE AMOR: como um Nhoque mudou a minha vida!

 

 

  1. bel Leopldo

    Adorei!!! Muito gostoso de ler, aguardando ansiosa o segundo capítulo!!!

  2. Armando

    Lívia, vc escreve muito bem. Que dom.
    Parabéns!
    Continue.
    ABS

  3. Graciele

    Adorei!!!
    Escreve logo as outras partes!!!

  4. Eliane

    Beijo, minha querida! Orgulho de você!

  5. fernando leite

    Que delícia.
    Beijo.

  6. Marli Matsumoto Natali

    Oi Lívia. Sempre admirei a sua desenvoltura e sua capacidade de discernimento nas suas colocações como profissional e conhecendo agora, um pouco mais de seu lado pessoal te admiro mais ainda. Lembro quando seu email mudou de Lívia Aidar para Lívia Magalhães , com sua narrativa vou entender agora o que se passou. Bom saber que está feliz!

    • Lívia Guimaraes

      Oi, Marlizinha. Há quanto tempo! Que bom que você está seguindo o blog. Logo contarei mais. Beijinhos. Ah! Claro que me lembro da mudança de sobrenome. Toda vez que alguém me perguntava sobre isso eu chorava. Rsrsrsrs

  7. Lívia Guimaraes

    Oi, Eli. Obrigada querida. Vc viu? Eu tô sempre inventando alguma coisa!

  8. Natália Ferreira

    Estou um pouco atrasada na leitura, mas não poderia deixar de ler. Você arrasa li. Bjs

    • Lívia Guimaraes

      Nat, minha querida! Que bom que você está gostando. Eu estou amando escrever. Na sexta publico o primeiro capítulo da viagem que foi a adoção da Laura. Esperando inspirar outras pessoas. Mil beijos.

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